| O
acontecimento Carlos Navas Por Danillo Sangioy e Ricardo Santhiago Fotos Divulgação |
| A
música brasileira, em geral, tem suas surpresas. Quando não
é um filho de artista que arrisca lançar um disco comercial,
algum modelo ou ator faz isso. Porém,
em meio a esses "acontecimentos musicais", existem, graças
aos céus, os lançamentos que, aí sim, podemos chamar
de música. É o caso de Carlos Navas, cantor paulistano, que
surgiu na cena de forma relâmpago.
Navas iniciou sua carreira há cerca de sete anos, mas subiu num palco pela primeira vez há dez, fazendo backing vocal para Alzira Espíndola num show em que a cantora estava afônica. Até então, Navas trabalhava como produtor de cantoras como Tetê Espíndola, irmã de Alzira. Atencioso e à vontade, Carlos Navas nos recebeu em sua casa, na Vila Romana, em São Paulo, para um papo pra lá de agradável, onde contou um pouco da sua história, falou de seu show "Por um triz", que faz com a atriz e diretora Clarisse Abujamra, e fez críticas à extinta rádio Musical FM. Confira abaixo a entrevista de Carlos Navas. |
![]() |
|
Cantos
Brasileiros - Em 1992 você fez backing vocal para a Alzira Espíndola
num show em que ela estava afônica. Foi nesse
momento que você resolveu se transformar num cantor ou já
pensava nisso antes? A partir
daí você começou a estudar canto? |
|
|
Ela teve laringite, ficou completamente rouca e não conseguia falar.
Foi grave a situação: ela foi se apresentar no projeto "Seis
e meia", o show era só dela, o Teatro estava cheio. E num determinado
momento ela me chamou. Ela ia tocando craviola e eu cantando as músicas
na tonalidade dela, que não era nem um pouco confortável pra
mim. Isso teve muita repercussão na imprensa de lá. Falaram
muito do esforço e do profissionalismo dela em se apresentar. Passados
alguns meses, ela foi chamada pra fazer outro show em Natal, num bar chamado
"Bar do Buraco". E as pessoas ligavam pra lá perguntando
se aquele menino iria cantar com ela de novo. E aquele menino era eu. Aí
ela disse que eu iria, foi anunciado que eu iria e como me chamava. Me lembro
que foram dois dias de show. No dia seguinte ela me falou que estava preparada
para me perder como produtor: que achava que eu tinha que ser um artista,
descobrir minha voz, porque ela era especial e porque eu tinha uma coisa
especial de me comunicar com as pessoas. Ao mesmo tempo, ela deixou bem
claro que eu teria que batalhar, que não poderia ficar nesse caminho
de sempre estar no show dos outros eventualmente. Aquilo pra mim foi muito
importante. Foi em novembro de 1995. E já voltei pra cá maquinando
isso. |
![]() |
| Dessa
descoberta, em 95, até a estréia do seu show, em 96, você
teve alguma preparação? Carlos Navas - Não acho que tenha sido uma preparação. Procurei as músicas que iria cantar, algumas inéditas dos compositores que com quem eu já tinha um contato, e procurei a Karin Fernandes, pianista, que me apresentou a dois outros músicos: o Fábio Colombini, baixista, e o Renato Malavasi, baterista. Ela compôs esse trio e fez os primeiros arranjos de base. Eu consegui agendar uma data para estrear no Supremo Musical com o show "Canções e Momentos". Mas no começo de 96 eu estava na Secretaria Municipal de Cultura, um órgão ao qual eu tinha acesso freqüente por causa do meu trabalho de produção, e os Titãs, que iriam se apresentar no Parque do Carmo no dia 10 de março, desistiram na segunda-feira. Eles precisavam de alguém pra substituir os Titãs, e que tivesse a documentação de contratação, que é imensa, toda pronta. E eu, muito pretensioso, falei assim: "Eu!" (risos). E propus de me apresentar com a Lady Zu, uma pessoa que sempre adorei, de quem já tinha me aproximado, e que estava num momento de hiato da carreira. Abri o show da Lady Zu no Parque do Carmo, no dia 10 de março. Acho que fui tão pretensioso que até o momento do show não tinha noção do que estava me propondo a fazer. Imagina: um cantor completamente desconhecido, que nunca tinha feito um show na vida, ir cantar naquele lugar enorme para um povo que tinha ido ver os Titãs! Mas ninguém me vaiou. Depois, comecei a fazer em casas de cultura, no projeto "Arte nas Ruas", no SESC. E sempre fui muito profissional, porque aprendi muita coisa com o que observei esses anos todos nas cantoras. As pessoas começaram a comentar, mas demorou um bom tempo para que o meio musical e os jornalistas não achassem que isso era um oportunismo da minha parte. |
|
| Você
sentiu preconceito? Carlos Navas - Sinto até hoje. Mesmo já sendo uma pessoa que dentro da safra do novo da música brasileira tem um pequeno espaço, ainda tem muita gente que não me ouviu e que ainda não me leva a sério como artista. Falo dos produtores culturais. Não do público, nem do meio musical. Do meio musical, mesmo quem não me ouviu é muito curioso em ouvir e geralmente tem referências. "O Mário Manga produziu os discos dele, a Zélia Duncan fez música pra ele, ele canta com a Tetê e com a Alzira", então as pessoas vão deduzindo que eu não deva ser tão ruim. Mas sinto preconceito, sim. O Brasil é muito preconceituoso. Estava hoje falando com a Alaíde Costa: não tocam o disco dela porque ela canta pra baixo, não tocam o da Tetê porque ela canta agudo, não tocam o de não-sei-quem porque é muito eletrônico, e o de não-sei-quem porque é acústico. Tudo é motivo no Brasil pra se sofrer preconceito. |
|
| Esse
pessoal com quem você trabalhou, como o Mário Manga e a própria
Zélia Duncan, você conheceu quando ainda trabalhava como produtor? Carlos Navas - Com o Mário Manga foi o seguinte: fiz um show em 96 no SESC Consolação, e num dos dias o Costa Netto, que eu conhecia dos meus tempos de produção, foi me ver. Ele disse que a Dabliú tinha interesse em um trabalho meu, mas que ele não teria como viabilizar o trabalho. E eu não tinha quem me produzisse, me orientasse. Foi dele a idéia de ser o Mário Manga. Eu o conhecia como artista, gostava muito do Premê, ele já tinha gravado num disco da Tetê, mas eu não tinha uma relação pessoal com ele. O Costa Netto falou com ele, me passou o telefone, eu fui à casa dele e nós conversamos e acertamos que ele faria a produção do disco. A Zélia Duncan eu conheci muito tempo antes de ela ser famosa, através da Luli & Lucina. Mas a música da Zélia Duncan me chegou em 96, quando a Zélia já era famosa, através da Patrícia Ferraz, produtora da Lucina. Ela ouviu a música e falou que ela tinha muito a ver comigo e que estava engavetada. A Lucina concordou, e eu pedi a ela que falasse com a Zélia pra ver se eu poderia gravar. Então ela pediu que eu ligasse para a Zélia. Liguei e deixei um recado. Lembro que num dia fui colocar gasolina e quando voltei tinha um recado dela na secretária eletrônica, cuja fita eu guardo até hoje. Um recado muito gentil, dizendo que ia ser um prazer e que ela se sentia muito feliz de estar participando de um disco da minha carreira. Mas não sou amigo íntimo da Zélia Duncan. Nos vemos eventualmente, temos esse elo comum que é a Lucina, que é muito próxima a mim. Mas a maioria das pessoas eu conheci do tempo de produção. |
|
| Antes de
tudo isso você tinha estudado jornalismo, trabalhado como produtor,
divulgador. Você sempre pensou em trabalhar com música? Como
aconteceu de você se tornar divulgador? Carlos Navas - Aconteceu casualmente. Em 84, aos 16 anos, fui assistir, no Ginásio do Ibirapuera, a um show chamado "Entre Amigos". Na fila desse show conheci uma senhora, a dona Mirthes, mãe de um tecladista chamado Ari Roland, que tocava com a cantora Claudya, que eu já admirava muito naquela época. A dona Mirthes morava aqui na Lapa, eu fui ver ensaios lá e conheci a Claudya. Ela gostou de mim, me achou comunicativo. |
![]() |
| Logo depois foi remontado "Evita" aqui em São Paulo, e ela precisava de alguém que capitalizasse a mídia do musical pra ela. Eu estava estudando jornalismo, e fui ser divulgador dela. Foi um período bem difícil, porque eu era muito novinho, parecia o office-boy da cantora. Ninguém me levava a sério! (risos). Depois, paramos e retornamos algumas vezes, eu produzi alguns shows... E no ano de 2000, em janeiro, no aniversário de São Paulo, uma produtora remontou a "Sinfonia Paulistana", do Billy Blanco, um trabalho que ele fez no final dos anos 60 ou 70, não me lembro, com canções que ele tinha feito com o Tom Jobim. Eles convidaram quatro cantores pra fazer: a Claudya, a Célia, o Zé Luiz Mazzioti e eu. Foi a primeira vez que eu cantei do lado dela. Ela falou: "Quem diria, né?" Eu falei: "Pois é, o mundo gira!" (risos). | |
| Qual
sua lembrança mais remota de música? Carlos Navas - Aquelas músicas infantis que hoje em dia as crianças não sabem cantar mais, tipo "Boi da cara preta", "Atirei o pau no gato". E lembro de visões, coisas que vi e me marcaram muito. Nunca me esqueço da primeira vez que vi Clara Nunes na televisão. Fiquei tomado! Maysa também... Maysa tenho claramente: foi no Rio de Janeiro, onde a gente passava as férias, porque minha avó vive lá. Estava passando pela sala, minha avó estava com a televisão ligada e vi aquela mulher toda descabelada, com um copo, fumando e cantando sentada no chão com aquele olho! (risos) Lembro também da Lady Zu, porque era uma época em que eu era uma criança solitária e via muito o programa do Chacrinha. Basicamente eram artistas que via na televisão. Mas, na verdade, a primeira lembrança musical que tenho é essa minha avó materna, que tocava acordeon. Era uma coisa muito rara de ela fazer. Depois foram esses artistas, que foram me chamando atenção de algum jeito. |
|
| E
na adolescência, você ouvia o que? Carlos Navas - Ah, eu era muito esquisito! Sempre fui esquisito! Lembro que o primeiro disco que comprei na vida foi a trilha sonora internacional de "Dancin' Days". Isso era 70 e poucos, época da discoteca, que eu adorava e adoro até hoje. Depois comprei o "Estúpido Cupido" nacional. E esse disco já tinha umas coisas estranhas. Tinha Silvinha Telles, tinha "Meu Mundo Caiu"... Eu não sei como uma criança daquela idade ouvia "Meu mundo caiu" e sofria! (risos) Era um sofrimento pra mim! (risos) E gostava de coisas que as pessoas da minha idade não entendiam. Elizete Cardoso, por exemplo. Amava Elizete Cardoso! Ficava procurando ela na televisão -- naquela época os artistas de nível apareciam na TV, não é como hoje. Mas eu escutei muita música de discoteca, muita música americana. E ouvia rádio, porque naquela época o rádio tocava outras coisas. Ouvia Cassiano, que hoje eu canto no meu show, escutava minha amiga Cláudia Telles... |
|
| Qual
sua opinião sobre as rádios de MPB de hoje e de antes, como
a Musical FM? Carlos Navas - Não tenho nada a falar da Musical FM, porque quando meu primeiro disco saiu o coordenador da rádio disse que minha voz era ótima, mas que o disco não acrescentava nada à programação da rádio. A Musical nunca fez nada por mim, sempre existi sem ela. O que não quer dizer que eu não ache que ela foi importante. Foi uma vitrine pra muita gente, teve uma importância para o surgimento de vários artistas. Ou melhor, não para o surgimento. Ela tinha uma coisa de "mais um artista lançado pela Musical". E não lançou ninguém. Eles falavam isso do Chico César, que tinha uma luta de anos. Assim como Klébi, Rita Ribeiro. Prefiro falar da Rádio USP, por exemplo, que existe há mais tempo e toca todo mundo. É uma rádio aberta. Mas, em geral, não existe mais uma programação espontânea de rádio, os espaços são comprados. Todo mundo sabe disso, os próprios artistas denunciam. Existem, é claro, alguns programadores, jornalistas e críticos que levam em consideração sua qualidade, mas são poucos. E felizmente existem no Brasil várias rádios educativas onde se tem algum espaço pra ser executado. Mas o grande público também vai emburrecendo. Teve um dia, num evento, que encontrei a Zizi Possi. Chegou uma moça do povo que falou para a Zizi: "Nossa, você sumiu, né?". Eu pensei: "Gente, se ela sumiu, eu nunca existi!" (risos). Vejo que existe um público que gosta de você e um público que gosta da parada de sucesso, que pode ser qualquer pessoa. Ao mesmo tempo você vê, por exemplo, a Mônica Salmaso, que toca nas mesmas rádios que eu e é uma cantora de sucesso. Viaja pelo Brasil, pra fora do Brasil, tem um público expressivo e não precisa ficar indo no programa do Raul Gil e nem tocar na rádio não-sei-o-que. Assim como Rita Ribeiro, Ná Ozzetti. São exemplos para minha perseverança musical. Quando comecei a cantar ficava pensando em fazer sucesso, mas hoje não é o que acho mais importante. Isso não quer dizer que eu não queira fazer sucesso. Iria ser ótimo, porque o esforço é muito grande pra viver dentro do -- detesto essa palavra -- alternativo. |
|
| Há
três anos você faz o espetáculo "Por um triz",
com a Clarisse Abujamra. Vocês vão continuar se apresentando? Carlos Navas - Ele é um dos meus projetos paralelos que tenho além do meu show normal. Tenho o show com Tetê e Alzira, tenho o "Cantando elas", que é só cantando mulheres compositoras, tenho meu show de terceira idade, que eu adoro fazer. E tenho esse trabalho com a Clarisse, que é o projeto paralelo de mais repercussão. Afinal, ela é Clarisse Abujamra, uma atriz importantíssima no Brasil, e que eu acho que tem, no teatro, a linha musical que eu tenho, com muita seriedade. Fomos felizes na estréia, no SESC Vila Mariana, em janeiro de 2000. Fez muito sucesso, foi muito divulgado. |
![]() |
| Ela tem a carreira dela, com os espetáculos dela, e eu tenho os meus. Mas a gente está fazendo, estou sempre batalhando por ele, por várias razões. Primeiro porque sou um apaixonado pela Clarisse desde que ela apresentava "É proibido colar" na TV Cultura. Segundo porque com esse trabalho tive a oportunidade de ser dirigido, o que nunca tinha acontecido. Fomos dirigidos por um grande ator e diretor, o Oswaldo Mendes, que me ensinou muita coisa. Não sei se aprendi tudo que ele queria que aprendesse, mas mudei muito. Também me lembro de uma tarde em Piracibada em que a Clarisse, que é bailarina, me disse: "Em dança, a gente conhece um grande bailarino não pela altura do salto que ele dá, mas pela forma como ele aterrissa". E aquilo foi um ensinamento pra mim. Eu cantava muito no meio das músicas e os finais não eram bem amarrados. Ela usou essa imagem pra me dizer com delicadeza uma coisa que ela estava percebendo. E embora ela tenha 33 anos de carreira e eu vá fazer sete, ela me trata de igual pra igual. A gente nunca se indispôs. Tanto eu como ela somos extremamente profissionais. Eu a trato com muito cuidado e respeito. E enquanto ela quiser fazer, eu vou fazer. | |
| Você
participou do projeto "Intimidade é Fato" com a Sandra
de Sá. Qual é o ponto de contato entre o seu trabalho e o
trabalho dela? Carlos Navas - Acho que o fato de sermos muito "pra fora". Foi uma afinidade mais pessoal, que a Lucina e a Patrícia Ferraz sacaram. Eu ia fazer com o Zé Renato, meu cantor preferido, mas não rolou por 'n' razões, algumas muito pouco agradáveis. Daí elas conheceram a Sandra de Sá num evento em Belém. O projeto estava rolando, a Sandra não me conhecia, não sabia quem eu era, mas prontamente aceitou, porque ela é muito generosa com os artistas novos. Eu estava muito tenso no dia do show. A gente combinou o que fazer por e-mail, e ela aceitou fazer três números comigo, que é uma coisa que nem os artistas que tinham peso igual estava fazendo no projeto. Sempre faziam uma música no fim. Preparei com meu músico, ela me mandou o roteiro do que iria fazer, e eu encaixei as coisas que tivessem a ver. No dia, ela acabou chegando mais tarde, e poderia ter falado que não daria pra fazer as músicas. O show era às nove horas, já eram oito, e ela ainda foi passar o som e ensaiar as músicas comigo. E na hora em que o show começou parecia que éramos íntimos. Foi uma noite inesquecível. A gente tinha em comum, talvez, o fato de eu também já ter cantado algumas coisas do Tim Maia, não tanto quanto ela. Mas acho que o principal foi nossa personalidade. Duas vozes grandes, de muito volume, e que combinaram bem, porque a gente era muito "pra fora". |
|
| O
repertório dos seus dois CDs é bem diversificado. Você
está procurando um compositor com quem se identifique ou isso é
uma proposta de trabalho? Carlos Navas - Você descobriu meu maior segredo! (risos) Procuro, sim, um compositor com quem me identifique. Porque eu não sou compositor, por total falta de talento. Talvez pudesse fazer letras razoáveis. Mas como sou capricorniano, se não fosse fazer uma letra como Chico Buarque, não faria. Sempre tem alguém que te traduz mais musicalmente, e eu tenho alguns prováveis candidatos nessa linha. Mas, por ora, o que procuro cantar são os autores contemporâneos, que estão fazendo música de vinte anos pra cá. Coincidentemente, os que me chamam mais atenção são os que tem pouca oportunidade na mídia, assim como eu. Alguns o público conhece mais, como Wisnik, Itamar Assumpção, Alzira. Mas a maioria não, como Péri, Madan, Mônica Tomasi, Fred Martins. Mais pra frente vou mexer com os que vieram antes. Tenho um plano de, quando me sentir mais maduro, fazer uma coisa com os compositores de bem antes. É uma pesquisa que já comecei a fazer. E depois tenho vontade de fazer uma coisa com um compositor só, que já sei qual é. Mas não falo, porque senão alguém vai e faz antes de mim. (risos) |
|
| No
álbum "Sua Pessoa", a maioria das músicas é
de compositores novíssimos. Mas ele também inclui a regravação
de "Corre-Corre", da Rita Lee. Ela é uma influência
pra você? Carlos Navas - Total. Sou completamente apaixonado por ela, acho que ela consegue conjugar popularidade com inteligência. Como o disco "Sua Pessoa" é uma reverencia aos compositores, eu quis colocar uma pessoa que traduzisse o objetivo do compositor, que é ser acessível fazendo coisas bem feitas, e achei que a Rita Lee era uma pessoa que traduzia isso muito bem. Foi casual de escolher essa música. Um dia estava chegando em casa e ouvi "Corre-Corre", do álbum "Bossa 'N Roll", na Eldorado. Aí falei: "É essa música". Não sabia que música iria colocar. Como agora, no disco novo: há anos quero cantar uma música da Marina, escutava os discos e não achava. Às vezes eu implico com o compositor. |
|
| Seu
terceiro CD já tem data de lançamento? Carlos Navas - Não tenho data, mas vou começar a gravar o CD quinta-feira [31 de outubro de 2002], depois de muito tempo de espera. Mas ele vai sair, se Deus quiser, no início do ano que vem. É muito provável que pela Dabliú, embora a gente não possa ter batido o martelo ainda, por razões estranhas a minha vontade. Mas ele já está plasmado. Estou aqui grávido e já passaram dois anos do parto. Não aguento mais! (risos) |
|
| Já
tem título? Carlos Navas - Tem. O disco se chama "Tanto Silêncio", título de uma música da Lucina com uma compositora nova, Elisa Queiroz, de Niterói. Ele vai ser só com intrumentos de corda: violões e derivados. E vai ter, por exemplo, a música que a Sandra de Sá e o Zé Ricardo fizeram pra mim, fruto do nosso encontro naquele show. Vai ter músicas do Fred Martins, Vitor Ramil, Péri, a música "Acontecimentos", da Marina... Uma do Itamar Assumpção, uma da Alzira - que eu não posso deixar de gravar, porque adoro ela - e uma do Jerry Espíndola. Os Espíndola estão na minha vida! |
|
| Por
falar nisso, como você chegou à família Espíndola? Carlos Navas - Através da Tetê. Quando eu era produtor eu a contratei e produzi um show dela em São Bernardo do Campo. Na época ela estava sem ninguém pra ajudá-la na produção e a gente acabou se afinando. Até hoje somos afinados. Mesmo não sendo mais produtor dela, ela sempre me pergunta o que acho dela fazer isso, e eu também sempre pergunto a ela. E depois que me resolvi artisticamente, minha relação com ela - que nunca foi ruim - ficou muito boa, muito plena. Tanto que nós nos apresentamos junto sempre, o que é muito divertido. Eu sou suspeito porque acho que não existe alguém no mundo como Tetê Espíndola. Pra mim ela sempre vai ser um fenômeno. Depois de Dalva de Oliveira, é o fenômeno do Brasil. Acho que a pretensão do artista é ser único. E ela é única, não tem ninguém que pareça com ela, gostem ou não. Então, se um dia eu for assim também, único, eu vou ficar muito feliz! |
|