| "O Som e o Silêncio de Carlos Navas" - Site MPB Hoje - Ago/03 |
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som e o silêncio de Carlos Navas
Depois de sete anos de carreira, dois discos lançados e público conquistado em todo o país, Carlos Navas apresenta "Tanto Silêncio" (Movieplay/2003), seu melhor trabalho até agora. Produzido por Mário Manga, o mesmo dos álbuns anteriores ("Pouco Pra Mim" e "Sua Pessoa", de 97 e 2000, respectivamente), o disco informa ter concepção do próprio Navas. Concepção, por sinal, adequada e brilhante -- "Tanto Silêncio é um disco de seu tempo: econômico e potencialmente contemporâneo. |
![]() Tanto Silêncio - Carlos Navas MoviePlay/2003 |
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Da sonoridade pesada da estréia, só sobraram as cordas delicadamente tocadas por Manga e Daniel Oliva, que junto com a voz personalíssima do cantor paulistano compõem uma obra acústica e sofisticada, que dialoga com as tendências de sua época -- não foi a economia que deu o tom dos trabalhos recentes (os terceiros, também) de Rita Ribeiro e Vange Milliet, por exemplo? Outra parte grande no mérito do disco vem da escolha das canções gravadas. Lucina, Alzira Espíndola e o irmão Jerry, Fred Martins, Péri e Itamar Assumpção comparecem novamente (formariam eles o grupo de compositores preferidos de Navas?). Marina Lima e Vitor Ramil são cantados pela primeira vez, numa tendência que cada vez mais aproxima Navas do novo (no trabalho de 97, Milton Nascimento, Chico Buarque e outros medalhões é que foram regravados). Grata surpresa é o presente ganho de Sandra de Sá, após um show dividido no projeto "Intimidade É Fato", que Navas repassa para o público. "Corpo de Você", parceria da rainha do soul com Zé Ricardo e Renata Arruda, é uma das faixas mais interessantes do disco. Destaque não só para a canção, mas também pela interpretação: o cantor começa com suavidade e leveza, e imperceptivelmente termina com suas singulares improvisações vocais (contraste que é objeto e reflexo da essência do disco). Para se tocar no rádio. Outra ótima gravação é a de "Que tal o impossível?", música de Itamar Assumpção resgatada de um disco de Virginie, ex-integrante do grupo Metrô, nos anos 80. É a última faixa, mas não se pode dizer que fecha o disco. E por dois motivos. O primeiro: antes do silêncio, Carlos Navas homenageia o compositor -- dizendo "Viva Itamar Assumpção!". O segundo: a canção é um convite para ouvir todo o disco de novo. O que todos os que ouvem "Tanto Silêncio" devem estar fazendo. (R.S.) |
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