Um
caso raro: um cantor brasileiro contemporâneo. Um
intérprete que não faz som de barzinho, nem pagode, nem axé,
nem
sertanejo. E ainda valoriza autores recentes. É o paulistano Carlos
Navas, um ex-divulgador e produtor de Alzira Espíndola e Alaide Costa
que vem, desde 1992, exibindo sua voz de timbre original e boa extensão
em discos e shows respeitados pelos conterrâneos.
Em seu terceiro CD, Tanto Silêncio/Acústico, ele canta nove
composições
de autores variados, perpassados pelos violões, o bandolim e o
violoncelo de Mário Manga, com participação de Daniel
Oliva no violão
base de três músicas.
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A sonoridade
delicada faz com que ele valorize as letras, detalhes de
melodias e harmonias que, às vezes, ficam perdidos nos arranjos
tradicionais. É o caso de Foi no mês que vem, de Vitor Ramil,
que fica
ainda mais descritiva e cinematográfica que na gravação
original. Ou
Acontecimentos, de Marina Lima e Antônio Cícero, com versão
situada num
ponto qualquer entre Renato Russo e Joni Mitchel.
Navas, que foi um dos solitsas do projeto Sinfonia Paulistana, ao lado
de Claudya, Zé Luiz Mazzotti e Célia, e dividiu com a atriz
Clarice
Abujamra o espetáculo de voz e poesia Por um Triz, fez com Sandra
de Sá
um show do projeto Intimidade é fato, no Teatro Sesc Pompéia,
em São
Paulo. E ganhou de Sandra a inédita Corpo de Você, parceria
com Zé
Ricardo e Renata Arruda.
Mesclando Itamar Assumpção (Que Tal o Impossível
?), Alzira Espíndola
(Pede pra mim), Lucina (Tanto Silêncio), com autores menos conhecidos
como Péri (Boca Abandonada), Fred Martins (Ícaro) e Jerry
Espíndola
(Soul Sozinho), o tenor que canta sem muitos arroubos ou piruetas
desnecessárias demonstra personalidade.
Mais um artista que constrói carreira num circuito alternativo,
com
público certo, shows prestigiados e discos bem sucedidos sem que
a
chamada grande mídia se dê conta. Mais uma prova de que é
o circuito
independente que apresenta s novidades. As gravadoras, se continuarem
existindo, podem correr atrás. Se tiverem juízo e olho no
futuro.
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