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Patrícia
Cassese
REPÓRTER
'Tanto Silêncio',
novo disco de Carlos Navas, já vem sendo considerado pela crítica
como o melhor trabalho da carreira do cantor paulistano, que estreou com
'Pouco Pra Mim' (1997, Dabliú), disco sucedido por 'Sua Pessoa'
(2000, idem). Os três discos têm como denominador comum a
produção do insuspeito Mario Manga.
A novidade deste 'Tanto Silêncio' em relação aos trabalhos
anteriores é o formato acústico. 'Acontece o seguinte: desde
o final do ciclo anterior, até por uma questão de redução
de custos, passei a me apresentar no formato voz e violão. Mas
entendi que isso não deveria soar menor - pelo contrário,
tinha que fazer disso uma coisa forte. Comecei a fazer shows assim no
final de 2000, em 2001, e me deu um estalo. Considerei que estamos precisando
recuperar o ouvido das pessoas. E era o momento de fazer um trabalho em
que minha voz ficasse acompanhada essencialmente por instrumentos de corda.
Daí comecei a procurar canções que ficassem intensas
neste formato, e fui formando o repertório. Algumas músicas
me vieram, outras já tinha em mente', diz em Navas, em entrevista
ao HOJE EM DIA por telefone, de São Paulo.
Como tem firmado em sua trajetória, Navas cercou-se de um time
de compositores de tirar o chapéu - de Itamar Assumpção
('Que Tal o Impossível?', já gravada por Virginie após
sua saída do Metrô) a Vítor Ramil ('Foi no Mês
Que Vem'), passando por Alzira Espíndola ('Pede Pra Mim') e Marina
Lima & Antonio Cicero (a releitura 'Acontecimentos'). 'No show Cantando
Elas, essa música era um dos momentos mais aplaudidos, e achei
que valeria a pena inclui-la', explica.
Presente e tanto foi o que Navas ganhou da cantora e compositora Sandra
de Sá, logo após os dois terem dividido o palco no projeto
'Intimidade é Fato': a música 'Corpo de Você', parceria
da diva black com Zé Ricardo e Renata Arruda. 'Na ocasião,
cantamos três músicas juntos. Ela trouxe o Zé Ricardo
e comentei com eles que faltava exatamente uma música para fechar
o repertório do novo disco. Curiosamente, faltava uma mais rítmica,
e ela me enviou esta logo depois'.
Mesmo num conjunto homogêneo, duas faixas se destacam no CD: a já
citada 'Foi no Mês que Vem' e a que batiza o petardo, de Lucina
e Elisa Queirós, ambas com o auxílio luxuoso do cello de
Manga. Aliás, essa é a primeira gravação de
uma composição de Elisa, que integra o grupo Arranco de
Varsóvia.
O disco traz, ainda, a música 'Ícaro', de Fred Martins e
Marcelo Diniz. 'Ele fez para a novela Um Anjo Caiu do Céu, mas
não foi aprovada pela Globo. Então, me mostrou, falando,
quase como se estivesse se desculpando, que ela era meio brega. Eu achei
linda, e nos shows que faço, tem tido uma ótima resposta'.
De Péri, autor da música-título do disco anterior,
ele gravou 'Boca Abandonada', outro bom momento. 'Ele fez pensando nesta
aflição de ver o planeta em guerra', conta Navas.
'Procuro interpretar músicas de contemporâneos pouco consumidos
pelo mainstream. Tinha um manancial enorme, mas procurei também
manter uma coesão. Não queria um disco longo, mas que fosse
pessoal. E com essa instrumentação, acho que ficou com um
aspecto cool sem ser intimista'. Agora, só falta agendar uma apresentação
na capital mineira. 'Já me apresentei até no interior do
Piauí, e ainda não fiz show em BH', inconforma-se.
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