Carlos Navas aposta no diferente
CD acústico Tanto silêncio é sofisticado e popular ao mesmo tempo
por Beto Feitosa
fotos André Feliciano


O cantor Carlos Navas chega ao terceiro CD em um formato acústico, como tem feito em seus shows. Baseado em nos violões de Mário Manga e Daniel Oliva traz a música em sua essência, a voz limpa e clara sem truques. Em Tanto silêncio Carlos Navas canta como se estivesse na sala de casa entre amigos.

Carlos não compõe suas músicas, mas a maneira inteligente como escolhe os compositores faz desse CD um trabalho autoral, com a cara do artista. Com produção elegante de Mário Manga, Tanto silêncio é um álbum sofisticado e popular ao mesmo tempo. Não abre mão do bom gosto, não segue pelo caminho fácil do óbvio e ao mesmo tempo é fácil e agradável. Para gostar na primeira audição. A lista de compositores já dá a pista de que o disco tem uma alma pop de vanguarda. Dos bem vindos malditos de Sampa, traz Itamar Assumpção, Péri e Alzira Espíndola. A música carioca está presente com o sempre inspirado Fred Martins, uma canção de Lucina e Elisa Queirós e mais uma boa nova do trio Zé Ricardo, Sandra de Sá e Renata Arruda.

 

 

A curiosa letra de Vitor Ramil para Foi no mês que vem junta passado e futuro de uma maneira curiosa e inteligente: "E tudo isso foi no mês que vem/Foi quando eu chegar/Na hora em que eu te quis". A (des)construção lembra a letra da também interessante Espaço, gravada no último CD de Verônica Sabino e fala de "quarto de não dormir, sala de não estar, porta de não abrir". As duas músicas foram gravadas originalmente no CD Tambong, mais recente do compositor, e têm tudo a ver com a frase de Manoel de Barros que Carlos escolheu para a contracapa de seu CD: "Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário".
E fugindo do óbvio, em uma época em que muitos investem em releituras e antigos hits, ele aposta em apenas uma música conhecida. A nova versão de Acontecimentos, de Marina Lima e Antônio Cícero, fazia parte do show Cantando elas, em que Carlos soltava a voz no repertório das compositoras brasileiras. Atendendo aos pedidos do público, registrou a música em seu novo CD.

Pai da vanguarda paulistana, Itamar Assumpção foi o escolhido para fechar o disco com a sua composição
Que tal o impossível?. Mais uma que segue o conceito do CD. Carlos Navas se propõe a fazer algo diferente, remar contra a maré. E se sai bem. Esperto, foge do lugar comum e imprime seu estilo.

 
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