Belo Horizonte


Carlos Navas reverencia Mario Reis

em ‘Quando o Samba Acabou’



O cantor paulista Carlos Navas presta uma homenagem a Mario Reis em ‘Quando o Samba Acabou‘, sexto álbum de sua carreira, que acaba de ser lançado pela Lua Music. A homenagem chega no centenário de nascimento daquele que foi um dos inovadores da música popular brasileira. Embora tenha gravado relativamente pouco, Mario Reis (1907-1981) criou uma forma singular de interpretar sambas - com ritmo, malícia e versatilidade próprios - chegando, nos anos 30, a disputar com Francisco Alves e Vicente Celestino a liderança entre os ídolos populares do cenário musical. Ao estilo inimitável de Mario Reis, Carlos Navas propõe um diálogo interessante em ‘Quando o Samba Acabou‘, às vezes aproximando-se do mestre, às vezes contrapondo-se ao modo do outro. Nas dez canções do disco, que conta com arranjos e direção musical de Ronaldo Rayol, Navas elabora uma ponte entre passado e presente, buscando evidências entre os dois estilos e novas maneiras de interpretar clássicos imortais da música brasileira. Se, no início, confere um tom dramático a «Filosofia», de Noel Rosa e André Filho), (contrapondo-se ao jeito irônico e irado de Chico Buarque em célebre gravação dos anos 70), mostra graça e humor na interpretação de ‘Joujoux e Balangandans‘, de Lamartine Babo, na qual faz gostoso dueto com Tetê Espíndola. Navas usa sua versatilidade também no sentido de criar uma sonoridade particular na exploração dos recursos do estúdio. E consegue resultados agradáveis ao longo de ‘Quando o Samba Acabou‘, que traz, ainda, ‘Se Você Jurar‘ (Francisco Alves/Ismael Silva/Nilton Bastos), ‘Jura‘ (Sinhô), ‘Dorinha, Meu Amor‘, ‘Sabiá‘ (Sinhô), ‘Meu Barracão‘ (Noel Rosa) e ‘Cansei‘ (Sinhô), além da faixa-título , de Noel Rosa, em que homenageia, também Alaíde Costa, uma de suas maiores influências na música.