Belém, 12 de junho de 2007 |
Carlos Navas, quando o samba acabou Coluna Feira do Som
Colunista Edgar Augusto |
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Paulista com 11 anos de carreira, Carlos Navas é o tipo do cara que a gente pode dizer: canta bem. Não tem voz de trovão, tampouco de algodão. Tem apenas voz bonita. Uma voz que mesmo pequena acaba se tornando também expressiva pelo fato dele saber como usá-la dentro de suas limitações. Com elegância e malícia também. Navas já havia provado isto em 2004, quando lançou suas versões para as canções da Arca de Noé, de Toquinho e Vinicius. E agora o ratificou neste agradável Quando o samba acabou (Lua Music), dedicado a Mário Reis (cantor carioca falecido em 1981 que compensava a ausência do chamado dó-no-peito com interpretações singulares) e trazendo o violão de Ronaldo Rayol, o piano de Moisés Alves, a percussão de Wlájones Carvalho e a flauta de Ubaldo Versolato. O disco, com base instrumental brejeira, foi buscar composições que Mário adotava, desde as conhecidas Filosofia (de Noel Rosa), Joujoux e Balangandans (de Lamartine Babo, com a participação de Tetê Espíndola), Se você jurar (de Ismael Silva) e Jura (de Sinhô) até as pouco lembradas Fui louco (de Noel e Bide), Meu barracão (de Noel) e Dorinha meu amor (de José Francisco de Freitas) conseguindo, além de chamar a atenção para seu homenageado, provar que revisitações podem ser fortes e atraentes quando feitas dentro de objetivos definidos. No caso dele, Navas, achamos que o maior objetivo foi o de mostrar que o cantar elegante e malicioso não é coisa só dos tempos de Mário Reis.
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