Site Infonet - 23/07/07

Infonet Rubens Lisboa

 

 

 

 

 

MUSIQUALIDADE



Cantor: CARLOS NAVAS

CD: “QUANDO O SAMBA ACABOU”
Gravadora: LUA MUSIC

O cantor Carlos Navas chega ao seu sexto CD correndo por fora do circuito das grandes multinacionais, mas íntegro às suas convicções musicais. Lançado pela gravadora Lua Music, seu novo álbum (intitulado “Quando o Samba Acabou”) leva a assinatura de Ronaldo Rayol na direção musical e é dedicado a Mário Reis, este um artista à frente de seu tempo que, já na década de trinta do século passado, inaugurou um estilo de cantar diferente do que havia no Brasil até então. Ao contrário dos vozeirões da era do rádio, ele cantava de forma coloquial, com uma divisão rítmica mais ágil, dando uma interpretação própria às canções. Foi o primeiro a gravar uma composição de Ary Barroso (o samba “Vou a Penha”) e viu sua carreira se consolidar através de uma série de discos que gravou em dueto com Francisco Alves.

Navas, por sua vez, é um cantor irrequieto que já mergulhou no universo pop (“Sua Pessoa” e “Tanto Silêncio”), no poético (“Pássaro Passará”) e no infantil (“Algumas Canções da Arca”), mostrando grande capacidade de adaptação. Dono de uma das grandes vozes masculinas atualmente em atuação nestas terras brazilis (seu timbre é mais para o agudo, mas os seus graves são um assombro de belos!), o paulistano começou no mundo artístico como produtor de artistas como Alaíde Costa e Tetê Espíndola (esta, inclusive, participa afetivamente do novo trabalho na faixa “Joujoux e Balangandãs”), vindo a lançar o seu primeiro CD em 1997 (“Pouco Pra Mim”).

Como o pesquisador Hermínio Bello de Carvalho já antecipa no texto de apresentação do recém-lançado álbum, “Carlos Navas teve a inteligência de homenagear o grande Mário Reis sem tentar imitar o que é inimitável. Ao estilo quase minimalista do Mestre, contrapôs sua personalidade ora romântica, ora maliciosa, apoiado em arranjos de bom gosto”. Belo resumo para um grande trabalho, construído sobre elegantes arranjos!

Para compor o repertório, foram resgatadas dez pérolas da nossa MPB e não há mesmo como deixar de se emocionar ao ouvir, por exemplo, as felizes releituras de “Filosofia” (Noel Rosa e André Filho), “Sabiá” (Sinhô), “Se Você Jurar” (Francisco Alves, Ismael Silva e Nilton Bastos) e “Dorinha, Meu Amor” (de José Francisco de Freitas), grandes momentos de um disco que se consubstancia como o melhor da carreira de Navas e um dos mais bem resolvidos deste ano.