Ilustrada On Line - FSP - 12/06/2008

Ilustrada
24/07/2008 - 13h22

Carlos Navas faz tributo a Guimarães Rosa em Minas

MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online

O cantor paulista Carlos Navas é a atração desta quinta-feira (24) dentro da programação da 20ª Semana Roseana, que homenageia o centenário do escritor João Guimarães Rosa, em Cordisburgo (MG), cidade onde ele nasceu. O evento começou no último dia 19 e vai até o próximo domingo (27).
 
Marco Aurélio Olímpio/Divulgação

Navas apresenta o Sarau Lítero Musical "O Feiticeiro das Palavras", no qual vai misturar trechos da obra de Rosa com músicas que retratam o sertão mineiro, como "A Terceira Margem do Rio", de Milton Nascimento e Caetano Veloso, e "Noites do Sertão", de Milton Nascimento e Tavinho Moura.

O show será às 21h30, em frente ao museu Casa de Guimarães Rosa, na região central da cidade. "É minha primeira vez em Cordisburgo. É um grande prazer tocar onde Guimarães Rosa nasceu", diz o cantor.

Após a homenagem a Rosa, Navas segue para o Rio, onde se apresenta neste domingo (27), às 17h, na sala Baden Powell, no Rio, com ingressos a R$ 1. Lá, ele vai cantar músicas do seu mais recente disco, "Quando o Samba Acabou", dedicado a Mario Reis, cantor carioca que fez sucesso nos anos 30.

Cantor Carlos Navas
Cantor Carlos Navas homenageia Guimarães Rosa hoje em Minas

Carlos Navas conversou com a Folha Online sobre a homenagem a Rosa e os 12 anos de carreira. Leia a entrevista:

Folha Online - Como surgiu esse tributo a Rosa?

Carlos Navas - Sempre lidei com projetos dos mais diversos: o tributo a Mario Reis, canções infantis, shows temáticos e outros. Eu trabalho com a literatura desde 2000, quando comecei um espetáculo com a grande atriz Clarisse Abujamra, mesclando poemas e canções, que acontece até os dias de hoje. Atualmente, nosso tema é Vinicius de Moraes. Participei da série "Contornos Literários", do jornalista Ricardo Santhiago, em 2006, em São Paulo, e, no ano passado, no Rio, lendo Clarice Lispector. Estas iniciativas me deram suporte para lidar, de forma simples e reverente, com a obra de Guimarães Rosa.

Folha Online - Qual sua relação com a literatura de Guimararães Rosa?

Navas - Acho que é a de um leitor comum, que admira sua forma única de lidar com a palavra e a simplicidade de um universo aparentemente tão complexo.

Folha Online - Alguma obra dele te marcou mais?

Navas - Vou citar um trecho de "Grandes Sertão Veredas" que eu digo no espetáculo: "Não sei qual é minha pedra, nem sei qual é minha cor. Não sei o que dizem arcanos ou cartas, nem o que há no lado escuro da lua. Não sigo oráculos. Configuro meu céu e reinvento meu dia. O mundo é círculo, e se me deixo escapar me reencontro em outro ponto".

Folha Online - Qual é seu livro preferido de Guimarães Rosa?

Navas - "Pequenas Estórias" e "Magma".

Folha Online - Qual característica da literatura feita por Guimarães Rosa lhe chama a atenção?
Navas - Entender que ele não é regional e sim universal. E por ter uma cara só dele. Personalidade é o que me chama atenção num artista criador.

Folha Online - Como será a apresentação de hoje à noite?

Navas - "O Feiticeiro das Palavras" é um sarau marcado pela simplicidade. Eu interpreto, acompanhado pelo excelente violonista Ronaldo Rayol, canções que, em minha opinião, descrevem a magia do ambiente da obra roseana e coisas inspiradas diretamente nela. Além disso, leio alguns trechos de textos dele que me impressionam muito e converso com o público informalmente sobre o que sinto diante desta beleza. Já passei por SP, Santos, interior do Rio e Brasília.

Folha Online - Qual sua relação com Minas e o sertão?

Navas - Sou urbano, nasci em São Paulo, mas tenho brasilidade nas veias. O Brasil é um continente e sinto em Minas uma ligação muito sincera e especial com a raiz, seja ela a terra, a família, a religiosidade, a música, a culinária. Algo acontece de muito especial naquelas terras antigas, que trazem sabedoria entranhada. Dizem que mineiro é desconfiado e acho que eles são mesmo, mas estou feliz por poder chegar mais perto desta gente.